
Todo pregador, para ser, de fato, um bom pregador precisa, como João Batista,
entender quem ele é e qual sua missão na vida. João Batista tinha clareza sobre quem
ele era e qual era a sua missão. Ele era de uma família judaica tradicional. Seu pai era da
classe sacerdotal. Em sua família, aprendeu que a lei era o caminho para a justificação.
Todos esperavam que ele seguisse o caminho do pai, Zacarias, sendo um fiel
cumpridor da lei à moda antiga. Porém, João os surpreendeu quando resolveu vestir-se
de pele de camelo e morar no deserto. Sob este aspecto, João Batista “escandalizou” as
pessoas que esperavam dele um comportamento tradicional. Contudo, ele tinha clareza
sobre quem era e qual era sua missão, derivando daí a sua coragem de cumpri-la até o
fim. João sabia com toda a certeza que ele seria “uma voz” que tinha vindo para preparar
o caminho para o Messias, ele tinha vindo para dar testemunho da luz, Jesus Cristo, a
verdadeira luz que vindo ao mundo ilumina todos os homens.
Todo grande homem e mulher na história da Igreja, assim como no mundo secular é
uma pessoa que tem profunda consciência de quem é. Esta pessoa tem convicção a
respeito de sua missão na vida. Ela não se deixa confundir.
A missão de cada um de nós, enquanto batizados, é a mesma de João Batista, dar
testemunho da luz e preparar o caminho através da pregação da Palavra, tendo zelo com
o ministério que nos foi confiado, cuidando de nossa família ou de nosso trabalho, em
tudo o que fazemos cada um no seu campo de ação, devemos preparar o caminho para
que as pessoas tenham um encontro pessoal com Jesus.
Compreender isso é essencial. Muitos, infelizmente, por não terem entendido sua
missão e seu lugar, ainda anseiam pelos palcos, holofotes, muitas vezes até com boa
intenção, porém acabam divulgando mais a si mesmos que ao Senhor. Corremos, com
isso, o risco de tirar o foco do essencial e ficar no acessório. Todo o que luta pelo Reino
de Deus na Terra deve dizer como João Batista: “Que Ele cresça e eu diminua.” Em um
versículo antes deste, João vai dizer: “Nisso consiste a minha alegria, que agora se
completa” (Jo 3,29). A grande alegria do servo, daquele que coordena, prega, é deixar as
marcas de Jesus na vida das pessoas, é refletir a luz de Jesus para as pessoas para que
a vida delas também seja iluminada, sempre com muita clareza de que nenhum de nós
tem luz própria para refletir, só o reflexo da luz de Deus em nós pode realmente tocar a
vida e o coração das pessoas.
Em nosso tempo, existe uma grande necessidade por parte da humanidade em
PROVAR QUE É ALGUÉM e em TER.
Uma necessidade de expor (para todos verem) o que fez, o que comprou, onde pregou,
para onde viajou… Tudo isso para provar que é alguém importante. Ao olhar este
aspecto, é perceptível a constatação de tantas pessoas deprimidas, enchendo
consultórios psiquiátricos, pois quando não conseguem ser o que sonharam, ou possuir o
que queriam, frustram-se, sentem-se vazias, aflitas… Essa necessidade contínua de
provar algo a si mesmo e aos outros pesa como fardo na mente e nos corações das
pessoas. Jesus disse: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos
aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e
humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é
suave e meu peso é leve” (Mt 11,28-30).
João Batista entendeu bem isto, não quis as glórias para si, virou o holofote para
Jesus. Exaltou, colocou no palco a pessoa certa! João entendeu que viera apenas para
preparar o caminho. Por isso, quando soube que Jesus chegara e iniciara sua missão, ele
prontamente disse: “É preciso que Ele cresça e eu diminua”. A curta vida de João Batista
foi toda dirigida e totalmente consumida para anunciar a vinda de Jesus. Ele entendeu
que seu chamado era para fazer o que Deus queria: Preparar o caminho! Desde o ventre
de Isabel, João Batista era cheio do Espírito! Quando Maria a saúda ele estremece, tal é a
manifestação poderosa do Santo Espírito em sua vida! E, por ser cheio do Espírito, João
foi sempre fiel ao seu ministério! Ele nunca desanimou! Nunca desistiu. João soube bem
qual era seu lugar no Reino de Deus. Em nenhum momento a sombra da vaidade ou
orgulho tomou conta de seu ser, ele sempre submeteu a sua vontade à vontade de Deus.
Hoje, através dessa carta, somos convidados a fazer como João: deixar Jesus
crescer em nós, caminhar de acordo com os preceitos da nossa vocação e controlar
nossas atitudes em relação aos nossos irmãos e irmãs em Cristo, perdoando-os,
acolhendo-os e colocando aos pés de Jesus qualquer sentimento de rebeldia, de inveja,
ciúme, confusão, todo e qualquer mau pensamento e mau sentimento. Façamos como
Jesus: passemos pelo mundo fazendo o bem, sejamos conduzidos pelo amor, sendo, em
tudo, conscientes de nossa missão, mansos e humildes diante de Deus e diante dos
outros.
Se focarmos nestes três pontos: consciência de quem somos e sobre a nossa
missão, imitação da humildade de Jesus e na imitação da mansidão de Jesus, certamente
Jesus vai crescer e nós, com o nosso ego e nossas vaidades, vamos diminuir. Que Ele
cresça e nós diminuamos!
Leandro Rabello
Coordenador Estadual do Ministério de Pregação RCCRJ